Nosso corpo indica muito mais do que pensamos!

Por Michelle Pontes

 

Você conhece seu corpo? O corpo não é só um emaranhado de células, órgãos e sistemas que operam como uma máquina como dizia o modelo cartesiano, mas sim um organismo com diversos processos, inputs e outputs (entradas e saídas). Ainda é comum se pensar: se a cabeça dói a cabeça está com problema, se o rim dói logo o rim tem problemas, se o olho não enxerga bem está ruim, porém as deduções nem sempre são tão exatas, diretas e obvias assim. Quem nunca perdeu o sono em função de uma preocupação e acabou o dia com dor de cabeça? Ou então, ficou o fim de semana inteiro vendo série na televisão, deitado, pensando em descansar, e acabou o domingo com dores nas costas?

Após muitos anos de orientações terapêuticas direcionadas ao órgão-sede do desconforto, com ajuda de remédios, emulsões e terapias, hoje vem ganhando força a chamada medicina do estilo de vida. Esse novo modelo busca integrar variáveis a exemplo da alimentação, do sono, dos hábitos, das emoções e do modo de pensar visando ampliar o diagnóstico e a terapêutica dos problemas de saúde. Para muitos pode parecer complicado, entretanto a tendência é termos abordagens mais efetivas quando o assunto é doença ou dor.

Se pensarmos em qualquer problema de saúde física, emocional, psíquica ou social é possível atuar sob dois enfoques diferentes. Um seria desmembrar esse problema em partes para tratá-lo a partir dos sintomas. Um a um, os sintomas receberiam uma abordagem de tratamento, não raro, com diferentes profissionais preocupados em cuidar cada um do “seu pedaço”. Outro enfoque seria ver o organismo como um todo onde cada parte interfere nesse todo e vice-versa. Podemos ainda acrescentar uma terceira abordagem onde os sintomas interagem entre si e confundem todo mundo, gerando grande dificuldade de compreensão e, portanto, de soluções.

Um bom começo para encontrar soluções é mudar o olhar de todos os envolvidos no sentido de trabalharem juntos com a intenção calibrada para encontrar uma saída para o problema. Isso já vem acontecendo em alguns contextos sociais, ambulatoriais e educacionais. Uma questão relevante é que não importa o papel no contexto: terapeutas, pacientes, professores ou alunos; todos são importantes na busca por soluções criativas para questões difíceis.

A questão é o porquê e o como. O porquê se justifica pela complementariedade de visões sobre um mesmo problema. O como é justamente desmitificar as posições de autoridades e criar ambiente para o diálogo respeitoso e profícuo. Por exemplo, o paciente é a pessoa que melhor sabe ou tem capacidade de conhecer e perceber como se comporta o sintoma. O terapeuta (médico, dentista, fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista, etc) é o técnico que possui acesso à diversidade enciclopédica online e off-line para criar um repertório capaz de solucionar problemas. E o professor (latu sensu) é o profissional capaz de diminuir a ignorância de todos envolvidos na solução do problema.

Nossa sociedade avançou tanto em determinadas áreas que parece estranho identificar tantos problemas em questões tão estruturais para o ser humano. Por que é tão difícil manter hábitos saudáveis? Por que as pessoas não dão valor para suas sensações e consciência corporais? Como manter-se saudável do ponto de vista das emoções e das relações? E qual a receita para conciliar nossa natureza exploradora e autocrítica do ser humano?

Essas e tantas outras questões movimentarão essa coluna do Front Press (e além). São temas de pesquisas, debates e projetos. Nosso principal objetivo é tratar de assuntos relevantes que permeiam nosso dia-a-dia e queremos lhes ser útil, por isso fiquem à vontade para enviar suas perguntas, sugestões e comentários.

Acompanhe nossas postagens!

A coluna .... tem a colaboração de profissionais da psicologia, fisioterapia e professores.