Na memória do universo

Exposição no Polo Astronômico de Foz do Iguaçu leva a reflexão sobre a formação do sistema solar a partir de meteoritos e impactitos

Denise Paro

A origem do Universo e a evolução são temas instigantes e desafiadores. O poeta latino Lucrécio (c. 98 – 55 a.c) refletia: “Nada pode nascer do nada". Inúmeras são as pistas para desvendar de onde viemos e o porquê estamos nesta dimensão. A origem da vida pode ser explicada por diversas perspectivas, seja filosófica, biológica ou cosmológica.

Alguns rastros estão evidentes na própria composição do universo. Os meteoritos e impactitos são uma prova. Diógenes de Apolônio (séc. V a.C.) afirmava que os meteoros eram corpos cósmicos - estrelas de pedra - invisíveis da Terra.

Os meteoritos (fragmentos de rochas do sistema solar) e os impactitos (rochas terrestres modificadas ou geradas pelo choque de um objeto celeste) são objetos da exposição “Meteoritos: Memórias Siderais” que está aberta para visitas até dia 9 de julho, no Polo Astronômico Casimiro Montenegro Filho, no Parque Tecnológico Itaipu - PTI.

Sob coordenação da professora Nara Oliveira, a exposição, realizada pela Holoteca do Centro de Altos Estudos da Conscienciologia – CEAEC em parceria com o Polo Astronômico, traz 107 meteoritos e 23 impactitos. Há amostras de meteoritos e impactitos da América, Europa, África, Ásia e Oceania. Do Brasil, estão expostos 33, de um total de 71 catalogados, e dois impactitos.

Faz parte da coleção uma amostra do meteorito Bendegó, encontrado em 1784, na Bahia, que está entre os primeiros do mundo a terem tido sua natureza extraterrestre reconhecida cientificamente, em 1816. Destaca-se também a existência, na coleção, de impactitos da Cratera de Vista Alegre, uma das poucas identificadas no Brasil e que se encontra relativamente próximo de Foz do Iguaçu, no município paranaense de Coronel Vivida, Sudoeste do Paraná.

A coleção reúne exemplares que ilustram boa parte das classes e grupos de meteoritos conhecidos. Há, por exemplo, meteoritos rochosos provenientes da crosta da Lua e de Marte. O acervo possui também alguns tipos de meteoritos metálicos que seriam oriundos do núcleo de certos astros.

Alguns meteoritos mostram características decorrentes da passagem de um corpo pela atmosfera da Terra, como uma crosta de fusão, de aspecto mais escuro, formada a partir de material derretido pelo atrito com o ar. Há também objetos que teriam sido formados pela transformação de rochas terrestres na colisão de um meteorito com o chão, gerando vidros naturais, em alguns casos com formas aerodinâmicas, moldadas durante o voo após sua ejeção de uma cratera.

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Origem do Sistema Solar

Coordenador científico da exposição, o professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste, doutor em Educação para Ciência e colunista do Front Press, Daniel Machado, explica que alguns grupos de meteoritos possuem material muito similar ao que se condensou a partir da nuvem de gás e poeira que originou o Sistema Solar. “Tendo sofrido relativamente poucas transformações, estes meteoritos conservam informações importantes sobre as condições e processos existentes no início de nosso sistema planetário”.

A própria idade do Sistema Solar pode ser estimada analisando-se os meteoritos. Certos exemplares possuem inclusões ricas em cálcio e alumínio que estão entre os objetos mais antigos do Sistema Solar, com idades da ordem de 4,6 bilhões de anos, explana Machado.

Os meteoritos proporcionam também dados sobre o interior de corpos celestes que provavelmente foram rompidos em impactos violentos. Deste modo, oferecem uma oportunidade ímpar para se sondar a estrutura interna destes astros, contribuindo para o entendimento de como se formaram e se desenvolveram ao longo do tempo.

Vida e Evolução

A investigação sobre os meteoritos está associada também a questões relacionadas ao surgimento e evolução da vida na Terra. Colisões de corpos celestes com nosso planeta vêm ocorrendo desde os seus primórdios, como indicam as diversas crateras e estruturas de impacto encontradas pelo mundo.

Certos tipos de meteoritos são ricos em água e matéria orgânica. Em alguns foram detectados até mesmo aminoácidos, que são blocos básicos componentes das proteínas, e também bases nitrogenadas, as quais fazem parte do código genético. Por outro lado, alguns impactos de objetos celestes com a Terra estão associados a eventos de extinção em massa de espécies, tal como o que ocorreu há cerca de 65 milhões de anos, quando a maior parte dos dinossauros foi extinta. A análise de impactitos é essencial para se fazer a identificação de locais atingidos por um asteroide ou cometa.

A exposição integra a 15ª Semana de Museus, que ocorre entre 15 a 21 de maio. A iniciativa é do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Nesta edição conta com a participação de mais de 1 mil museus de todo o País, com mais de 3 mil atividades. A programação nacional está disponível em guiadaprogramacao.museus.gov.br.

Visitas

Exposição “Meteoritos: Memórias Siderais”

Visitação pública: 6 de maio a 9 de Julho (Prorrogada para 10 de setembro)

Horário: Terça a domingo, 10h e 16h; Sexta e sábado, 10h, 16h e 18h30

Local: Polo Astronômico Casimiro Montenegro Filho

Valor: R$ 24 (adulto); crianças de 0 a 6 anos não pagam. Pessoas com deficiência têm gratuidade.

A visitação é gratuita para moradores dos municípios lindeiros ao Lago de Itaipu e ao Parque Nacional do Iguaçu. É obrigatório apresentar comprovante de residência recente, em nome do visitante, acompanhado de documento de identificação. Menores de 18 anos podem apresentar comprovante em nome dos pais.

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