Campanha alerta para o tráfico de pessoas

Estimativas da ONU indicam que em todo mundo pelo menos 2,5 milhões de pessoas sejam vítimas do tráfico humano. Foz do Iguaçu é alvo

Fotos Nilton Rolin/Itaipu

Somente este ano, 80 denúncias envolvendo tráfico de pessoas foram registradas no Paraná, de acordo com o Núcleo Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas As vítimas, em geral, são mulheres ou adolescentes que acabam enganadas após receber uma falsa oferta de trabalho. O problema preocupa principalmente porque há dificuldades no combate e falta de informação sobre o assunto.

Embora seja rota do tráfico de pessoas, Foz do Iguaçu tem poucos registrados de casos, segundo a Polícia Federal -PF . A quantia de denúncias existentes hoje não chegam a 10, conforme o delegado Mozart Fuchs.

A subnotificação existe principalmente porque muitas vezes as vítimas não sabem que estão sendo ludibriadas ou têm vergonha de fazer a denúncia.

Para chamar atenção para o problema, a Organização das Nações Unidas – ONU faz todo ano a campanha Coração Azul, a fim de mobilizar a população com atividade em várias cidades brasileiras. Em Foz do Iguaçu, as ações começaram no último sábado e seguem até dia 30 com intervenções em diversos pontos da cidade, incluindo o aeroporto, Ponte da Amizade e Ponte da Fraternidade e Itaipu.

No dia 29, haverá intervenções teatrais no Centro de Visitantes de Itaipu - CRV realizadas pelo Grupo Jovens em Missão (Jocum). Depoimentos de vítima do tráfico poderão ser vistos por meio de óculos de realidade virtual que mostram vídeos.

O assunto também será debatido durante seminário que ocorre nesta terça e quarta-feira na Unioeste com palestras e painéis sobre o assunto.

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Intervenção realizada durante a campanha. Foto Nilton Rolin/Itaipu

Rede - A rede dedicada ao tráfico humano age não apenas em Foz do Iguaçu e também envolve paraguaias e argentinas. Semana passada, quatro pessoas foram presas no Rio de Janeiro por envolvimento com a exploração sexual de adolescentes paraguaias. Uma das vítimas, de 16 anos, disse ter ficado em cárcere privado por dois anos. A outra, de 15 anos, ficou por três meses em poder da quadrilha, mas conseguiu fugir e fez a denúncia que resultou na prisão.

As meninas trabalhavam como domésticas e sofriam abuso sexual constante. Elas deixaram o Paraguai rumo ao Brasil em busca de trabalho e acabaram enganadas.

O tráfico humano ocorre para fins de exploração sexual, do trabalho e até o comércio de órgãos humanos. A ONU estima que em todo mundo 2,5 milhões de pessoas sejam vítimas deste tipo de tráfico.